Estimulação Cerebral Profunda

Compreendendo a Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é um distúrbio neurológico degenerativo e progressivo que afeta o sistema nervoso central, comprometendo principalmente a capacidade do cérebro de controlar os movimentos do corpo. Isso ocorre devido à diminuição da produção de dopamina, um neurotransmissor essencial para a coordenação motora. Embora seja uma condição crônica, os avanços da neurocirurgia oferecem hoje opções de tratamento altamente eficazes para resgatar a qualidade de vida dos pacientes.

Sintomas Motores e Impacto na Rotina

Os sinais mais característicos da doença incluem tremores que ocorrem mesmo com o corpo em repouso, rigidez muscular, lentidão para realizar movimentos (bradicinesia) e alterações de equilíbrio e postura. Tarefas simples do dia a dia, como abotoar uma camisa, segurar um copo de água ou caminhar, podem se tornar desafios enormes, gerando grande impacto na independência e no bem-estar emocional do paciente.

O Desafio do Tratamento Medicamentoso

A primeira linha de tratamento é sempre medicamentosa, utilizando remédios (como a levodopa) que ajudam a repor ou simular a ação da dopamina no cérebro. No início, os resultados costumam ser excelentes. Contudo, após alguns anos de uso contínuo, é comum que a medicação perca parte de sua estabilidade, exigindo doses maiores e causando efeitos colaterais indesejados, como movimentos involuntários (discinesias) e períodos de “travamento” motor ao longo do dia.

A Revolução da Estimulação Cerebral Profunda (DBS)

Quando os medicamentos já não controlam adequadamente os sintomas ou causam efeitos colaterais limitantes, a neurocirurgia entra em cena com a Estimulação Cerebral Profunda (DBS – Deep Brain Stimulation). Conhecida popularmente como um “marca-passo cerebral”, essa técnica é um dos maiores avanços da medicina moderna. Ela não cura o Parkinson, mas modula a atividade elétrica do cérebro, suprimindo os sintomas motores de forma notável e segura.

Como é Feito o Procedimento Cirúrgico?

A cirurgia consiste no implante milimétrico de finos eletrodos em áreas específicas e profundas do cérebro, responsáveis pelo controle motor. Esses eletrodos são conectados a um pequeno gerador (semelhante a um marca-passo cardíaco), que é implantado sob a pele, geralmente na região da clavícula. O gerador emite impulsos elétricos contínuos e ajustáveis, que bloqueiam os sinais cerebrais anormais causadores dos tremores e da rigidez.

Recuperação e Devolução da Autonomia

Os resultados da terapia com DBS costumam ser transformadores. Grande parte dos pacientes experimenta uma redução drástica dos tremores, alívio da rigidez muscular e melhora na fluidez dos passos. Isso permite não apenas uma diminuição substancial na quantidade de medicamentos diários, mas, acima de tudo, a retomada da autonomia. O tratamento cirúrgico devolve ao paciente a capacidade de realizar atividades cotidianas com dignidade e independência.

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