O Que é a Neuralgia do Trigêmeo?
Conhecida popularmente como a “doença do suicídio” devido à intensidade insuportável da dor que provoca, a neuralgia do trigêmeo é um distúrbio crônico que afeta o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face. A condição se caracteriza por crises de dor súbita e excruciante, semelhante a um choque elétrico ou uma facada, que atinge geralmente um lado do rosto, podendo durar de segundos a minutos e se repetir várias vezes ao dia.

Gatilhos e Sintomas
A dor raramente surge sem aviso; ela é frequentemente desencadeada por atividades cotidianas banais que estimulam “zonas de gatilho” na face. Ações simples como escovar os dentes, barbear-se, mastigar, falar, sorrir ou até mesmo sentir um vento leve no rosto podem precipitar uma crise. Com o tempo, o paciente tende a viver com medo constante da próxima crise, o que pode levar ao isolamento social e à depressão.
A Causa: Compressão Vascular
Embora possa ser causada por esclerose múltipla ou tumores, a causa mais frequente da neuralgia do trigêmeo é a compressão vascular. Isso ocorre quando uma artéria (ou veia) normal do cérebro, ao pulsar, encosta na raiz do nervo trigêmeo na base do crânio. Esse contato constante desgasta a bainha de mielina (a proteção do nervo), criando um “curto-circuito” que envia sinais de dor intensa ao cérebro.
Diagnóstico Clínico e Exames
O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na descrição da dor pelo paciente. No entanto, a Ressonância Magnética de crânio com protocolos específicos para nervos cranianos é indispensável. Ela serve para confirmar a presença da compressão vascular e, principalmente, para descartar outras causas secundárias, como tumores ou lesões desmielinizantes, garantindo que o tratamento proposto seja o correto.
Tratamento Medicamentoso
A primeira linha de tratamento não é feita com analgésicos comuns, que geralmente não surtem efeito para esse tipo de dor neuropática. Utilizam-se medicamentos anticonvulsivantes, como a carbamazepina e a gabapentina, que ajudam a “acalmar” a excitabilidade do nervo. Em muitos casos, o ajuste medicamentoso é suficiente para controlar as crises e devolver a qualidade de vida ao paciente por longos períodos.
Tratamento Cirúrgico: Descompressão e Rizotomia
Quando os remédios deixam de funcionar ou causam efeitos colaterais intoleráveis, a cirurgia é indicada. O padrão-ouro é a Descompressão Microvascular, uma cirurgia onde o neurocirurgião afasta a artéria do nervo e coloca um “amortecedor” entre eles, curando a causa do problema. Para pacientes que não podem realizar cirurgia aberta, existem procedimentos percutâneos minimamente invasivos, como a Rizotomia por Radiofrequência ou por Balão, que “desligam” a sensibilidade do nervo para aliviar a dor.



